domingo, abril 25, 2004

quinta-feira, abril 22, 2004

de mãos e pés atados

é assim que me sinto.

impotente. de mãos, pés atados. a garganta seca de angústia. sem palavras. pequena.

não, hoje não sou feliz...

terça-feira, abril 20, 2004

o melhor concerto da minha vida

o melhor concerto da minha vida, foi o de sexta-feira passada, dos tindersticks. porquê? porque fui com os meus irmãos e com o manel, as três pessoas que mais gosto no mundo (sem contar com os meus sobrinhos, claro!). é parolo mas é verdade! para mim, há momentos que valem muito mais do que o gajo que está a contorcer-se em palco.

entre o meu irmão de olhos fechados, a bater palmas logo no final das músicas, a minha irmã ao longe, sentada como se estivesse numa chaise longue de um paquete americano e o manel a balançar-se de mãozinhas nos bolsos, vivi dos momentos mais felizes da minha vida. é parolo, eu sei... mas é verdade!

sou viciada nestas três pessoas: no beto, na mana e no manel. e sou feliz assim... mais feliz que a maioria das pessoas que me lêem.

segunda-feira, abril 12, 2004

tindersticks

Buried Bones

I could take all the craziness out of you
That's what I loved you for
Take away all the oranges, greens and blues
That's what I loved you for
Take a look at me
You think it really could be that easy?
I mean, take a look at me
You think it really could be that easy for you?
I know about guys, I know where they live
And you're just the same
The ones that matter fight against themselves
But it's so hard to change
Hey, I could love you
Take all that love away from you
Hey, I could love you
Put you in this box I've made for two
So you could take all this craziness out of me
That's what you love me for
Well, I don't mean to laugh
But if you know all this
You must be halfway there
Well, like that dress tonight, you won't know as it falls from you
Turn around and it's winter, darling
Look in the mirror and it won't be you
So you're an old, old dog
You've been around the block
So many times
And it's the same old turns
Same old feelings straight down the line
Yeah, I can love you
Grab that leash and drag you to a place you'd never know
I know where my bones are buried
May take me a while, but I'd find my way home

"Curtains"
(1997)

não. não consigo decidir qual é a minha música favorita dos tindersticks. pode ser esta, a anterior, a próxima, todas as que este homem canta...




cumprido

retirei aqui do lado o link da rapariga que também bloga. espero que esteja satisfeita...

quarta-feira, abril 07, 2004

casais



frida e diego                              ana e reinaldo                           susana e manel

segunda-feira, abril 05, 2004

hoje, em especial, hoje...

queria ser mais escura. que a minha pele adoptasse um tom mais carregado, castanho. que o meu cabelo se alisasse e tomasse um tom negro. que os meus olhos se abrissem, que as pestanas alongassem. que a carne por debaixo das minhas unhas se colorisse de laranja.

hoje, em especial hoje (mais que os outros dias), queria ser mais escura, mais indiana, mais asiática, mais africana - escura, escura, escura. preta. como o meu pai.

terça-feira, março 30, 2004

mandamentos

Choose life.

Choose a job.

Choose a career.

Choose a family.

Choose a fucking big television.

Choose washing machines, cars, compact disc players, and electrical tin openers.

Choose good health, low cholesterol and dental insurance.

Choose fixed-interest mortgage repayments.

Choose a starter home.

Choose your friends.

Choose leisure wear and matching luggage.

Choose a three piece suite on hire purchase in a range of fucking fabrics.

Choose DIY and wondering who you are on a Sunday morning.

Choose sitting on that couch watching mind-numbing sprit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth.

Choose rotting away at the end of it all, pishing you last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked-up brats you have spawned to replace yourself.

Choose your future.

Choose life.

...

o sapo II

tenho a comunicar que também acho o sapo adsl uma grande merda.

segunda-feira, março 29, 2004

o sapo...

...é uma grande merda!

exacto... sim! esse mesmo: o sapo!

aquele portal de gente tão incompetente e inculta, que até hoje ainda não perceberam que o sapo é, na realidade, uma rã!

então no anúncio de televisão é vergonhosamente óbvio.

principalmente má aquela parte das homepages... uma verdadeira porcaria...

ora experimentem lá ir a http://ganeshgordo.no.sapo.pt.

(se conseguirem, fico verde de vergonha!)


domingo, março 28, 2004

domingos

domingo. início da noite.

estou lenta. apetece-me fumar um cigarro mas temo pelas dores de garganta. o nariz pinga e sinto este escritório gelado. a preguiça é tanta que me custa pôr os acentos nas respectivas letras. escrevo com uma mão, enquanto a outra serve de apoio ao queixo.

domingo... início de noite...

devia haver uma lei que proibisse os fins de tarde de domingo: são deprimentes.

sexta-feira, março 19, 2004

paixão literária

Bolero do coronel sensível que fez amor em Monsanto
Vitorino

Eu que me comovo
Por tudo e por nada
Deixei-te parada
Na berma da estrada
Usei o teu corpo
Paguei o teu preço
Esqueci o teu nome
Limpei-me com o lenço
Olhei-te a cintura
De pé no alcatrão
Levantei-te as saias
Deitei-te no banco
Num bosque de faias
De mala na mão
Nem sequer falaste
Nem sequer beijaste
Nem sequer gemeste,
Mordeste, abraçaste
Quinhentos escudos
Foi o que disseste
Tinhas quinze anos
Dezasseis, dezassete
Cheiravas a mato
À sopa dos pobres
A infância sem quarto
A suor, a chiclete
Saíste do carro
Alisando a blusa
Espiei da janela
Rosto de aguarela
Coxa em semifusa
Soltei o travão
Voltei para casa
De chaves na mão
Sobrancelha em asa
Disse: fiz serão
Ao filho e à mulher
Repeti a fruta
Acabei a ceia
Larguei o talher
Estendi-me na cama
De ouvido à escuta
E perna cruzada
Que de olhos em chama
Só tinha na ideia
Teu corpo parado
Na berma da estrada
Eu que me comovo
Por tudo e por nada

Vitorino e António Lobo Antunes
(1992)

confesso: ando perdida de amores pelo lobo antunes.

estou-me a borrifar que o gajo seja arrogante, convencido, que despreze portugal, que publique os seus livros primeiro no estrangeiro e só depois cá, que escreva numa língua que não o português, que seja louco, pisocótico, estúpido.

paciência. não há nada a fazer! estou enamorada e pronto!

quarta-feira, março 17, 2004

outra grande dúvida...

... porque é que os homens coçam os tomates em público? volta-meia-volta lá estão eles com o mindinho ou o indicador...

e outra! e porque é que escarram para o chão, ali no meio da rua? com tanto ruído, que se pode ouvir um tipo a escarrar à distância de meia légua?


terça-feira, março 16, 2004



Balada para los poetas andaluces de hoy
Autor: Rafael Alberti

¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre, ¿pero donde están los hombres?
con ojos de hombre miran, ¿pero donde los hombres?
con pecho de hombre sienten, ¿pero donde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parecen que están solos.

¿Es que ya Andalucia se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿Qué en los mares y campos andaluces no hay nadie?

¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
¿Quién mire al corazón sin muros del poeta?
¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?

Cantad alto. Oireis que oyen otros oidos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabreis que palpita otra sangre.

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo.
encerrado. su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres.

***************************************************
esta é das tais que me arrepiam os cabelinhos da nuca.

segunda-feira, março 15, 2004

tricas, dotícia e rolmo

sempre gostava de saber onde é que ela vai arranjar estes nomes deliciosos??

se eu fosse católica, pedia-lhe para ser madrinha dos meus filhos: haveria de lhes dar nomes únicos e fantásticos e contar-lhes as suas maravilhosas histórias de encantar...

bin laden visto no martim moniz

pelas notícias de hoje, parece que o país está ansioso por ser o próximo alvo de atentados bombistas...! ele é ameaças terroristas para aqui, ele é mensagens com avisos para ali... o primeiro ministro fala, o presidente declara, os dois ministros sem pasta alertam, a oposição opina e a imprensa alarma!

sim senhora!!

quarta-feira, março 10, 2004

ganesh

fumando

nunca deveria ter virado à direita no semáforo, em direcção à bomba de gasolina.

nunca deveria ter estacionado o carro.

nunca deveria ter saído do carro com 2,05€ no bolso e pedido um maço de português azul.

nunca deveria ter comprado tabaco depois de dois a tentar deixar de fumar.

fumando, escrevo agora estas palavras...

que merda! tenho de deixar de fumar... isto é mesmo um vício....!

quarta-feira, março 03, 2004

quando ela tinha nove anos

sempre que lhe falo de música portuguesa ou música brasileira, faz uma ar de indiferença. não comenta. não gosto, diz. há uns tempos atrás prometi-lhe gravar um cd com as minhas músicas brasileiras predilectas. cobrou-me a promessa, infinitamente adiada umas quantas vezes... agora que tenho gravador de cds, tenho de começar a fazer a selecção. vai demorar. tenho de a deixar deliciada com a música brasileira.

ate porque eu fazia um ar enjoado e enfadado sempre que a ouvia falar da stevie nicks. que horror, não gosto nada dessa tipa, dizia-lhe eu, principalmente daquela úsica, o i can't wait, que sempre teve o condão de me irritar, desde miudinha. hoje gosto de stevie nicks. dei por mim aos 21 anos sentada num bar em nova york a tentar ver e ouvir a espantosa reunião dos fleetwood mac no the dance, depois do empregado ter exigido ver os nossos passaportes antes de nos servir uma simples cerveja. hoje gosto muito de stevie e muitas vezes ouço as suas músicas preferidas, que ela me gravou em cd logo que pode.

por isso o meu espanto quando, na sexta passada, no meio de uma acesa discussão ao som do álbum roberto carlos, quando se indignava com o facto de eu e clara gostarmos das baleias, apoiando as frases de escárnio da rita, soltou um berrinho, parou e emocionou-se exclamando eu adoro esta música!!!! com um copo de vinho na mão e sorriso pateta de felicidade cantava baixinho a letra daquela música até há poucos minutos tão brega do roberto carlos. cantava concentrada, deslumbrada por ainda se recordar da letra toda, a letra da cama e mesa do roberto carlos. cantava concentrada enquanto o resto da casa a olhava maravilhada (eu) ou rebolava a rir no meio do chão (rita).

vera, a terceira estarola, descobria que afinal a música não é só anglo-saxónica e moderna e que, algures no brasil, um velho ídolo católico ferveroso a fazia regressar aos seus nove anos, no tempo em que ouvia os singles dos pais vezes e vezes sem conta.


Cama e mesa

Eu quero ser sua canção, eu quero ser seu tom
Me esfregar na sua boca, ser o seu batom
O sabonete que te alisa embaixo do chuveiro
A toalha que desliza no seu corpo inteiro
Eu quero ser seu travesseiro e ter a noite inteira
Pra te beijar durante o tempo que você dormir
Eu quero ser o sol que entra no seu quarto adentro
Te acordar devagarinho, te fazer sorrir

Quero estar na maciez do toque dos seus dedos
E entrar na intimidade desses seus segredos
Quero ser a coisa boa, liberada ou proibida
Tudo em sua vida

Eu quero que você me dá o que você quiser
Quero te dar tudo que um homem dá pra uma mulher
E além de todo esse carinho que você me faz
Fico imaginando coisas, quero sempre mais

Você é o doce que eu mais gosto
Meu café completo, a bebida preferida e o prato predileto
Eu como e bebo do melhor e não tenho hora certa
De manhã, de tarde, à noite, não faço dieta

Esse amor que alimenta minha fantasia
É meu sonho, minha festa, é minha alegria
A comida mais gostosa, o perfume e a bebida
Tudo em minha vida

Todo homem que sabe o que quer
Sabe dar e querer da mulher
O melhor e fazer desse amor
O que come, o que bebe, o que dá e recebe

Mas o homem que sabe o que quer
E se apaixona por uma mulher
Ele faz desse amor sua vida
A comida, a bebida, na justa medida

O homem que sabe o que quer
Sabe dar e querer da mulher
O melhor e fazer desse amor
O que come, o que bebe, o que dá e recebe

Mas o homem que sabe o que quer
Sabe dar e querer da mulher
O melhor e fazer desse amor
O que come, o que bebe, o que dá e recebe

Mas o homem que sabe o que quer
E se apaixona por uma mulher
Ele faz desse amor sua vida
A comida, a bebida, na justa medida?


Roberto Carlos - Erasmo Carlos
(1981)

terça-feira, março 02, 2004

não pode ser...

proibo-me de ler os textos da minha irmã no emprego. corro o sério risco de desatar a chorar ao pé do gordo jovem administrativo que passa horas a tirar fotocópias, mesmo aqui ao meu lado. ou da rapariga grávida de quatro meses que segura a barriga num gesto de ternura...

não pode ser...

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

não queria estar aqui

no dia em que termino mais um trabalho sobre goa, recebo a notícia da morte do meu tio xavier, marido da minha tia amália, irmã mais nova do meu pai. aqui sentada em frente a este ecrã, olho a fotografia plastica que decora uma das paredes deste escritório e vejo o meu tio xavier sentado na varanda tipicamente indo-portuguesa que fronteia a nossa casa em goa. soori. ao seu lado senta-se o meu tio filipinho, também já morto, irmão do meu pai, um homem afável, que tinha a voz e as mãos do meu pai. do outro lado, sorri a minha tia amália, com o seu sari rosa e azul escuro e o seu cabelo preto apanhado.

hoje sinto a falta da minha presença naquela casa em pondá, onde a minha tia chora a morte súbita do marido e os meus primos vivem o seu primeiro dia sem pai.

sábado, fevereiro 21, 2004

hermana

a minha irmã acabou de sair de minha casa, levando uma matraquilha chorosa que queria ir ver mais "pathinhos": o passeio à quinta pedagógica, onde os patos tentavam roubar as suas bolachinhas, foi frustrado pela chuva repentina.

saiu de minha casa com a matraquilha e com uma grande mala preta, feia, de verniz, muito, muito feia (onde é que ela terá comprado aquilo?!) repleta de cd's. alguns meus, claro... fico sempre com o coração nas mãos quando lhe empresto alguma coisa: em primeiro lugar, porque sou sunica (é assim que se escreve?), e segundo, porque a mana tem o condão de partir, perder ou estragar tudo o que lhe empresto. lá foi ela com o chico césar, com os capital inicial e o zeca baleiro. também levou um sergio godinho e um tito paris, que lhe tinha surripiado há muito tempo. enquanto a via, com um ar guloso, enfiar os cds na mala feia (inimaginavelmente feia...), disse-lhe com um ar sério por fora, mas a rir-me por dentro: então os hermanos ficam?! abriu os olhos, balbuciou qualquer coisa com um ar indignado, disse eu ouço isso sempre...! não, não! não, não! se quiseres eu ofereço-te. olhei a matraquilha que se sentava nas pernas da mãe e cantava o fim das palavras de cada verso da música preferida daquele álbum...

estou lixada se não gostar dos los hermanos. a hermana vai-me perseguir a vida inteira, lançando olhares de desprezo sempre que lhe aparecer com outra voz, outro som, outro ritmo.

terça-feira, fevereiro 17, 2004

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

cantada pela elis regina, esta é a única música que me faz chorar

No dia em que eu vim-me embora
Caetano Veloso

No dia em que eu vim-me embora
Minha mãe chorava em ai
Minha irmã chorava em ui
E eu nem olhava pra trás
No dia que eu vim-me embora
Não teve nada de mais

Mala de couro forrada com pano forte brim cáqui
Minha vó já quase morta
Minha mãe até a porta
Minha irmã até a rua
E até o porto meu pai
O qual não disse palavra durante todo o caminho

E quando eu me vi sozinho
Vi que não entendia nada
Nem de pro que eu ia indo
Nem dos sonhos que eu sonhava
Senti apenas que a mala de couro que eu carregava
Embora estando forrada
Fedia, cheirava mal

Afora isto ia indo, atravessando, seguindo
Nem chorando nem sorrindo
Sozinho pra Capital
Nem chorando nem sorrindo
Sozinho pra Capital
Sozinho pra Capital
Sozinho pra Capital
Sozinho pra Capital…

Caetano Veloso & Gilberto Gil
(1968)

no dia em que parti para o brasil, pensava em não voltar. deixava para trás a minha família. vejo ainda o meu pai a arrastar a minha mãe pelo aeroporto fora, a minha mãe, que me olhava, virando a cabeça para trás, com um sorriso forte, a segundos de se transformar em choro. regressei a tempo de assistir ao definhar da minha avó, a tempo de presenciar o nascimento do diogo, o filho mais velho do meu irmão. não chorei quando me vim embora de portugal. mas choro sempre que ouço esta música, cantada pela elis regina. ela canta-a no feminino e, nesse momento, eu sou esta mulher com a mala de couro com pano forte brim cáqui. e volto a ser aquela rapariga que olhava a mãe arrastada pelo pai que não queria olhar para trás.

só nos faltava mais esta: o cretino a tecer considerações sobre o idiota!

Jorge Coelho diz que Ferro Rodrigues merece ser primeiro-ministro

domingo, fevereiro 15, 2004

quinta-feira, fevereiro 12, 2004

beto

sabe apenas que a sua mãe se chama natália. que era ainda uma miúda quando o teve. que o abandonou nos braços do pai. que o voltou a ter por momentos, fugida mas rapidamente apanhada. imagino o pai a mandar parar a camioneta onde o menino dormia ao colo da mãe que, pela primeira vez em dias, o acarinhava e apertava contra si. imagino sempre uma cena de filme. o homem a mandar para a camioneta, a mulher desesperada a olhar para ele, o calor abafado que os fazia suar, o homem a tirar o menino à mãe, desajeitado, apressado, a mãe a chorar, o menino a chorar, e a câmera lentamente a acompanhar o homem, que sai para o meio de uma estrada de terra batida, perdida no meio de moçambique.

esse homem é meu pai, esse menino meu irmão. essa mulher não a conheço. nem quero. por momentos, há quase quarenta anos, roubava-me o meu irmão, muito antes de nascer.

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

escreve

"temos uma filha que escreve". é assim que edith frank, a mãe de anne frank, diz a miep aquilo que se tornou público ao mundo após a publicação do diário.

ultimamente, sempre que leio o blog da minha irmã, vejo-me na pele daquela mãe, olhando a amiga, dizendo simplesmente: "tenho uma irmã que escreve".

terça-feira, fevereiro 10, 2004

depois...

depois de estacionar o carro do meu pai numa rua íngreme perto da calçada do combro...

depois de me decidir a descer a rua, em vez de a subir, por preguiça, por não querer passar pelos adolescentes sentados nas escadas da igreja...

depois de ouvir vozes altas, vozes grossas que enchiam a rua estreita que descia...

depois de passar pela tasca e espreitar de relance os homens, três homens, que falavam alto e grosso...

depois de reparar no bêbado empoleirado numa estrutura de ferro que impede os peões de se precipitarem para o meio da estrada...

depois de pensar "que merda, o bêbado ainda se vai meter comigo!"

depois de resolver "tenho de passar discretamente pelo bêbado, não se vá ele meter comigo..."

depois de de chegar ao final da rua, olhar para o bêbado e virar à esquerda, na esquina...

depois...

depois estatelei-me ao comprido entre o passeio e estrada, caí com o corpo todo no meio do alcatrão. a asa da mala prendeu-se no pino verde que resguarda o passeio dos carros e, no preciso momento em que ia virar à esquerda, senti-me em desequilíbrio. alguma coisa impedia-me de andar. senti o joelho embater fortemente no chão, dei uma volta de 90 garus sobre mim própria, larguei a mala, tentei aparar a queda com as mãos. o queixo e o nariz rasparam o alcatrão e só parei quando minha testa embateu no pneu de uma vespa verde que aguardava pacientemente o retorno do seu dono.

depois...

depois de levantar-me atordoada...

depois do bêbado atravessar a estrada em meu auxílio, gritando "então?! então?! sozinha???".

depois de ouvir vozes e ver uma mulher gorda a olhar para mim com um ar perplexo...

depois de agarrar a mala que, ironicamente, fazia de argola em redor do pino verde...

depois de me sentir idiota, ridícula e pequeno-bruguesa, num misto de riso e de susto...

depois de subir no escuro, insegura, dois lances de escadas íngremes...

depois disto tudo... a ginoca deu-me um anjo da guarda, comprado por ela e nathalie em luanda.

um anjinho que está pendurado na porta da varanda e que espero me proteja desta e de todas as outras quedas.

nat, gi: obrigada.

quinta-feira, fevereiro 05, 2004

sempre a primeira vez

no final de fevereiro o sergio godinho dá mais um concerto. para mim e para a minha irmã, um concerto do sérgio godinho é sempre como se fosse a primeira vez. os berrinhos, a excitação, a expectativa...

não será a primeira vez para nós , mas sim para o matraquilho mais velho. orgulhosas, ansiosas, a mãe e a tia entrarão pelo coliseu adentro, com o matraquilho pelas mãos. pela primeira vez ele vai assistir à tia histérica aos pulinhos na cadeira, ao soltar os seus estridentes "iiihuuuuuuu!" e mãe envergonhada, a dizer entre-dentes "eu não te conheço!".

como eu imaginava que seria o amor II

2º ANDAR, DIREITO

Ele vinte anos, e ela dezoito
e há cinco dias sem trocarem palavra
lembrando as zangas que um só beijo curava
e esta história começa no instante
em que o homem empurra a porta pesada
e entra no quarto onde a mulher está deitada
a dormir de um sono ligeiro

E no quarto, às cegas,
o escuro abraça-o como que a um companheiro
que se conhece pelo tocar e pelo o cheiro
e é o ruído que o chão faz que lhe traz
o gosto ao quarto depois de uma ruptura
faz-lhe sentir que entre os dois algo ainda dura
dos dias em que um beijo bastava

E agora, da cama
vem uma voz que diz sussurando: És tu?
e a luz acende-se sobre um braço nu
e a mulher pergunta: A que vens agora?
é que não sei se reparaste na hora
deixa dormir quem quer dormir, vai-te embora
amanhã tenho de ir trabalhar

Não fales, que o bébé ainda acorda
não grites, que o vizinho ainda acorda
e não me olhes, que o amor ainda acorda
deixa-o dormir, o nosso amor, um bocadinho mais
deixa-o dormir, que viveu dias tão brutais

E o homem de pé
parece um rapazinho a ver se compreende
e grita e diz que ele também não se vende
que quer a paz mas de outra maneira
e nem que essa noite fosse a derradeira
veio afirmar quer ela queira ou não queira
que os dois ainda têm muito que aprender
Se temos…! diz ela
mas o problema não é só de aprender
é saber a partir daí que fazer
e o homem diz: Que queres que eu responda?
Não estamos no mesmo comprimento de onda…
Tu a mandares-me esse sorriso à Gioconda
e eu com ar de filme americano

Somos tão novos, diz o homem
e agora é a vez de a mulher se impacientar
essa frase já começa a tresandar
é que não é só uma questão de identidade
é eu ou tu, seja quem for, ter vontade
de mudar ou deixar mudar

Não fales,…

E assim se ouviu
pela noite fora os dois amantes falar
e o que não vi só tive que imaginar
é preciso explicar que sou eu o vizinho
e à noite vivo neste quarto sozinho
corpo cansado e cabeça em desalinho
e o prédio inteiro nos meus ouvidos

Veio a manhã e diziam
telefona ao teu patrão, diz que hoje não vais
que viveste uns dias assim tão brutais
e que precisas de convalescença
sei lá, inventa qualquer coisa, uma doença
mete um atestado ou pede licença
sem prazo nem vencimento, se preciso for
(Espero que não seja preciso, porque não
sei como é que eles vão viver sem os dois salários…)
Vá fala, que o bébé está acordado
o vizinho deve estar já acordado
e o amor, pronto, também está acordado
mas tem cuidado, trata-o bem
muito bem, de mansinho
que ainda agora vai pisar outro caminho.

Sérgio Godinho
Pano Cru
(1978)
*******************************************

como o meu amor é.
(óbvio que metaforicamente!)

segunda-feira, fevereiro 02, 2004

______________________________

é dolorosamente ténue a linha que separa o ódio do amor.

domingo, fevereiro 01, 2004

como eu imaginava que seria o amor

Que maravilha

Lá fora está chovendo.
Mas assim mesmo
Eu vou correndo
Só pra ver o meu amor.

Ela vem toda de branco.
Toda molhada e despenteada,
Que maravilha,
Que coisa linda
Que é o meu amor.

Por entre bancários, automóveis,
Ruas e avenidas
Milhões de buzinas
Tocando sem cessar.

Ela vem chegando de branco,
Meiga, linda e muito tímida.
Com a chuva molhando seu corpo
Que eu vou abraçar.

E a gente no meio da rua,
Do mundo, no meio da chuva,
A girar,
Que maravilha,
Que maravilha,
Que maravilha.

Toquinho - Jorge Benjor

sexta-feira, janeiro 30, 2004

a mala do sport billy



a minha mala parece-se cada vez mais com o saco do sport billy. mas, em vez de bolas de futebol, raquetes de ténis e sticks de hoquéi, encontra-se repleta de anti-inflamatórios, pilhas usadas, talões de multibanco, meios pacotes de lenços de papel, pensos higiénicos, vários batons que me esqueço de usar, frascos de soro fisiológico...

e, ao contrário do nosso herói, tenho de mergulhar a minha mão várias vezes até conseguir encontrar as coisas mais simples como a carteira, o discman ou a agenda.

se o sport billy fosse uma gaja, há muito que tinha sido papado pela pérfida vanda!

quarta-feira, janeiro 28, 2004

luso-tropifamilia

pertenço a uma família miscigenada. mestiça. pluri-racional. multi-étnica. transnacional. diaspórica.

um indiano goês, duas portuguesas alentejanas, um afro-indiano nascido em áfrica, duas luso-indianas nascidas em áfrica, uma portuguesa alfacinha, um português beirão, duas crianças um quarto indianas e três quartos portuguesas e duas crianças um quarto indianas, um quarto africanas e dois quartos portuguesas.

aos 28 anos descubro que tenho uma família luso-tropical.

segunda-feira, janeiro 26, 2004

domingo

hoje não saí de casa. passei o meu domingo sentada na mesa da sala, envolta em textos sobre o luso-tropicalismo, aqui, em África, no Brasil, em Goa e no raio que o parta. fumei demasiado, comi quase nada, esqueci-me de ligar a aparelhagem e gastei duas preciosas horas de estudo numa tentativa frustrada de cozinhar almôndegas de soja que rapidamente se transfomaram em bolonhesa.

foi um dia de merda, mas não um dia desperdiçado. no final da noite, os pratos da balança equilibram-se: de um lado a reclusão doméstica e e o chão da cozinha "encerado" à base de azeite e bocadinhos de comida, do outro, três paginas escritas sobre o conceito de luso-tropicalismo e um tacho cheio de bolonhesa de soja.

podia ter sido pior...

sábado, janeiro 24, 2004

a voz que acompanha as minhas tardes de estudo

lula transformado em polvo

só um chefe de estado muito cobarde demite um ministro por telefone.

a pequena lula operária transformou-se rapidamente num grande polvo invertebrado.

o brasil não tem jeito mesmo!

sexta-feira, janeiro 23, 2004

ensonada...

...escuto o manel a ressonar no quarto. tem um ronco leve, uma quase respiração funda que já não me incomoda. na primeira noite que dormimos no mesmo quarto (por sinal não era um quarto, mas sim uma sala) custei a adormecer. julgava ter um vulcão em plena erupção ao meu lado... ou então que os montes das estremadura espanhola era sacudidos por violentos tremores de terra. mas não: era apenas aquele homem que adormecera ao meu lado, enfiado num saco cama, com umas almofadas a fazer de colchão. dois dias depois ligou-me. deixou uma mensagem no telemóvel: "era para saber se esta noite já dormiste melhor...?".

nessa altura não me passava pela cabeça que, anos depois, os seus troares noturnos seriam para mim a mais doce canção de embalar.

boa noite...

quinta-feira, janeiro 22, 2004

dificuldades de uma mestranda

quase uma da manhã. não estudei nada. revolvo a internet em busca de um livro, que só encontro numa livraria on-line em coimbra. envio e-mails desesperados à editora, implorando por informação, por um exemplarzinho em stock. percorro as bibliotecas mas nenhuma parece ter o meu livro, aquele livro que preciso. só a biblioteca nacional, aquele gigante que me come sofregamente as horas de almoço. ao fundo ouço o manel e a rita a falar. acho que vou mas é pegar no chá e ter com eles...

segunda-feira, janeiro 19, 2004

imaginem-me...

... a preparar um jantar romântico com o manel, convidá-lo antecipadamente, pedir-lhe conselhos, telefonar, reservar uma mesa, ir buscá-lo ao escritório, fazer uma cara marota, dizer-lhe "é uma supresa, é uma surpresa!", atravessar meia cidade para no fim... levá-lo a um restaurante vegetariano!

sábado, janeiro 17, 2004

não percebo...

...aquelas mulheres que entram à nossa frente na casa de banho, demoram eternidades para fazer um xixi e depois saem sem lavar as mãos. grandes porcas!

sexta-feira, janeiro 16, 2004

tss, tss, tss, tss...

já são quase três da manhã e em vez de estar na cama a dormir ou a estudar a diáspora goesa, estou para aqui feita parva a escrever no blog...

quinta-feira, janeiro 15, 2004

resposta ? mana grandinha

os los hermanos lançaram-se quando estava no brasil, com uma música que me irrita solenemente (adora esta expressão: irrita solenemente!), chamada ana júlia. foi um hit de verão em portugal uns anos depois. por isso, nunca tive qualquer interesse em ouvi-los com mais atenção. mas também fiquei surpreendida com as músicas cantadas pela maria rita e compostas pelo vocalista da banda.

agora... vamos lá a falar de coisas mais importantes:

1) que merda é essa de andares a fumar? caso não saibas, estás grávida!
2) que merda é essa de andares a beber? caso não saibas estás grávida!
3) que merda é essa de me chamares mana pequenina em público?

sobre o brasil e isso de teres nascido no sítio errado... não penses assim. às vezes arrependo-me de ter voltado, há momentos em que me invade uma sensaçao de nostalgia tão forte que me transporto para lá. é uma coisa física, que sinto na pele, que consigo rastrear pelo cheiro num milésimo de segundo, que saboreio na ponta da língua... vejo-me por momentos lá, como se conseguisse estabelecer pontos de telepatia com aquele país.

mas... por outro lado, voltar foi a melhor coisa que me aconteceu. foi sim! aqui é o meu lugar . lisboa é a minha cidade. portugal é o meu país. moçambique é a minha terra. goa e o alentejo são as minhas raízes. o brasil é o meu passado... é aqui que me sento plena.

quarta-feira, janeiro 14, 2004

dúvida mais que existencial

mas porque carga d'água é que me meti no mestrado??!!

um ano sem vida.

um ano sem dormir.

um ano em pânico constante.

porra!

domingo, janeiro 11, 2004

possibilidade de rir

Trasmontana que sou, cedo me habituei ao frio lá fora. Mas nunca me habituarei ao frio dentro dos corações. Passeava ontem pela baixa de Lisboa e vi o actor John Malkovich, presença habitual por estas paragem, a olhar a montra de uma loja de roupa. Não resisti, porque aprecio o seu trabalho há muito, aproximei-me e meti conversa. Perguntei-lhe se não preferia esperar pela época dos saldos que sempre é mais em conta. Ele olhou para mim e, durante breves segundos, parecia que ia dizer qualquer coisa. Depois virou-me as costas e continuou a andar sem uma palavra. A dor sente-se... mas às vezes também se vê.

não pode ser... será? anabela mota ribeiro na blogesfera? tem de ser no gozo...!

não vale a pena

para uma clara reflexão:

Não vale a pena
interpretado magnificamente por maria rita, ontem à noite no coliseu
J. e P. Garfunkel

Ficou difícil
Tudo aquilo, nada disso
Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar pra ver o invisível
E depois enxergar
Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequeno
Mas vai e vem e envenena
E me condena ao rancor

De repente cai o nível
E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal amados
Dos amores mal vividos
E o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida
E é pra não ter recaída
Que não me deixo esquecer
Que é uma pena
Mas você não vale a pena

regina

plagiando o Y: ela é regina!



não consigo dizer mais nada sobre o melhor concerto de 2004.

sábado, janeiro 10, 2004

impressionante...

acho impressionante que os meus pais tenham partido para goa terça-feira e que ainda não me tenham telefonado.

eles vão de férias, os três, todos contentes, com quase uma centena de quilos distribuidos por seis malas, chegam passado umas 30 horas e nem sequer um telefonema...!

e ainda por cima já têm linha lá em casa... um telefone inteiro, só para eles, com botões e auscultador. o que é que lhes custa marcarem o meu número de telefone? ou então ir a uma cabine???

sim, porque na noite antes de partirem eu estava doente! uma nevralgia paralisava-me metade da cara com dores... um horror, aquelas horas cheias de dores de cabeça, nas urgências com a minha mãe... que na altura, se preocupava com a sua filha mais nova... a despedida do meu pai e da minha tia, a fazerem uma cara de preocupação e eu, com a vista toldada das dores...!

nem um olá, filha, como é que estás? a mãe e a tia estavam preocupadas contigo... tens tomado os medicamentos? tens comido bem? e o trabalho? e o estudo?? e o meu pai ao fundo "ó solhange, deixe-me falar com ela! estou, filhota?!" nada. nenhum interesse.

trocaram-me pela tia maria, o marlindo e as filhas. pela diamante e o marido. pela tia amália e o tio xavier. pelo moreno, melinda e respectivos esposos e rebentos. pelo franky e a diana. pela tia quitéria. pela tia rosu e a sua cabana abandonada. pelo rio mandovi e os palmeirais a perder de vista. pelas casas caiadas e a terra vermelha. trocaram-me por goa... esqueceram-me...

e eu, eu que nunca me esqueço deles quando estou longe! telefono sempre, mando sms, e-mails. não gosto de pensar que eles ficam preocupados comigo.

tenho de ir lá a casa buscar o telefone dos meus tios. pode ser que ao ouvirem a minha voz se lembrem que também têm família deste lado do mundo...

quinta-feira, janeiro 08, 2004

prenda de natal

ontem recebi, via_postal_entregue_em_mão_na_minha_caixa_de_correio, a prenda de natal que mais queria. o novo disco de fausto: a ópera do cantor maldito.

quem me ofertou este belo cd (que ouço continuamente sempre que chego a casa) foi a minha amiga rita. a nunes...

e que boa amiga que ela é!

uma das coisas que lhe acho mais piada é quando se despede ao telefone. invariavelmente diz :"então vá...!". pergunto-lhe sempre: "vá onde? à merda??!". ela desata-se a rir, tenta lembrar-se de outra expressão qualquer, ri-se mais um pouco e acaba com o inviarável: "ok. então vá...! beijinhos!".

anda há mais de um ano obsecada com a sua festa dos 30 anos. depois de mil e uma ideias, resolveu-se a comemorar os mesmos na discoteca a que vai todos os fins de semana... julho de 2004 promete!

quando sofre de stress amoroso liga-me às duas da manhã. quando está bêbada e em companhia da terceira estarola (a menina vera), liga-me várias vezes durante a madrugada. guincham as duas qualquer coisa ao telefone que, por mais imperceptível que seja, por mais sono que tenha, me desperta o desejo de pegar no carro e ir ter com elas.

comprou uma casa na sé mas não vai para lá morar. "talvez em junho, julho...!".

há mais de seis meses que me assegura "é para o próximo mês que passo a ir de comboio para o trabalho!... é sim!". mas nunca vai.

é a mulher que durante anos e anos diz que nunca vai engravidar e depois, numa paixão de mês, anuncia: "era capaz de lhe dar cinco filhos!".

nunca chora. parece que nunca sofre. está sempre bem, numa boa, fixe...!

eu nunca lhe disse o quanto gosto dela. não se diz esse tipo de coisas à rita nunes. ela ri-se na tua cara, responde "eu sei! bebe mais um copo!". mas também não preciso. ela sabe. e eu vou beber mais um copo...!

para ti, rita, uma música do chico buarque, uma das primeiras que ouvi, das que mais gosto. mais do que a letra, dou-te a música e a voz, ao som das quais podes agitar as tuas duas bolinhas de espelhos!

A Rita
Chico Buarque/1965

A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela
Meu assunto
Levou junto com ela
E o que me é de direito
Arrancou-me do peito
E tem mais
Levou seu retrato, seu trapo, seu prato
Que papel!
Uma imagem de São Francisco
E um bom disco de Noel

A Rita matou nosso amor
De vingança
Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos
Levou os meus planos
Meu pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão

quarta-feira, dezembro 24, 2003

a minha prenda de natal

A banda
Chico Buarque/1966

Estava à toa na vida
O meu amor me chamou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

A minha gente sofrida
Despediu-se da dor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem

A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela

A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar cantando coisas de amor

Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar
Depois que a banda passou

E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor

*************
espero que tenham gostado...!

sexta-feira, dezembro 19, 2003

when God closes a door, he always opens a window

quando era miúda vi vezes sem conta o música no coração, com a maria e o captain von trapp e os sete pequenos tenores. a dada a altura, ainda no início do filme, a madre superiora diz "when God closes a door, he always opens a window", frase que a maria repete várias vezes ao longo do filme e que acaba por ser seu final.

no início desta semana, achei que Deus (ou alguém chamado matias), me tinha aberto uma imensa e larga janela. mas este bem estar sofreu um leve revés: na semana em que comecei a trabalhar, o meu carro, parado e estacionado, foi abalrroado por um bêbado qualquer, e ficou impossibilitado de abrir a porta do lado do pendura e, ontem, foi o único violentamente assaltado na íngrime rua de s. marçal, mesmo em frente ao britânico! um agarrado partiu o vidro, antes disso forçou a porta, roubou-me o rádio (o filha da puta!!), levou-me o cd das cassia eller que a clara me tinha oferecido na noite anterior (o merdoso do filho da puta!) e o cd dos tribalistas que o manel me deu antes de irmos para férias (o caralho do merdoso do filho da puta!). ainda me revirou o carro de alto a baixo, levou-me os óculos escuros preferidos, enquanto dava duas ou três peidolas lá dentro...

a saber: às vezes, quando alguém abre uma janela, deve-se ter cuidado para não levar com a porta na cara!
anda alguém aos pulos na casa de baixo ou no sotão.

as luzes tremem um pouco, às vezes.

caralho, quem será?! a fazer um chavascal destes logo na noite de sexta feira que quero ir cedo para a cama???

afinal...!

o gajo sai ou não sai??

ha! já me esquecia...

vou voltar a descontar 11% do meu rendimento mensal para a segurança social.

segunda-feira, dezembro 15, 2003

segredos & mentiras



no meio do meu mau feitio, da minha personalidade (alegadamente) assertiva e seca, da minha eterna recusa em me assumir como nativa de caranguejo, supostamente maternal e protectora, descubro-me muitas vezes sentimental, sensível e lamechas pensando nos filmes que me põem de bem com a vida.

este é um deles. um drama familiar numa inglaterra chuvosa, o encontro de uma mãe com uma filha, a distância entre irmãos, os ódios entre cunhadas, o silêncio de refeições partilhadas, a vergonha, a cobrança, os segredos, as mentiras. todas as famílias têm os seus segredos e as suas mentiras, o seu pequeno microcosmos de drama, comédia, alegria e tristeza. esta é a história de uma família, de muitas famílias, todas elas potenciais argumentos para belos filmes do mike leigh.

quinta-feira, dezembro 11, 2003

sarmentinho

então um dos ministros de porra nenhuma muda de visual, deixa crescer a barba e eu não sabia? será que também anda a ter aulas de dicção para aliviar os rrrrs do seu discurso?

se...

a memorável frase de mafadant (é assim que pronuncio mas não sei se é assim que se escreve) dedicada ao meu amigo sérgio, há 12 anos atrás.

mafandant - o rufia do meu bairro suburbano, que roubava os miúdos, assustava as miúdas, sempre baixo, sempre atarracado, sempre andando devagar, a gingar, sempre falando num misto de pronúncia africana, arrastada, nasalada que soava desajeitada naquela cara morena de cigano, com olhinhos pequeninos e barba rala salteada nas faces.
dando uns bafos numa ganza, semicerrando os olhos.

sérgio - na altura um miúdo de 16 anos, miópe, com uns óculos que lhe escondiam os olhos azuis, de calças de ganga de marca, que comprará durante toda a sua vida, com a camisinha aos quadradinhos e gola branca da t-shirt a espreitar, acabado de fumar os seus primeiros cigarros e já com os acentuados laivos de arrogância que assume ter.
fumando um cigarro sobranceiro.

- eh pá, se eu tivesse a tua cara de beto... fodia taaanta gaja boa!

por outras palavras: dá Deus nozes a quem não tem dentes!

segunda-feira, dezembro 01, 2003

sexta-feira, novembro 28, 2003

o primeiro dia

Acabou. Acabou-se. Expulsaram o polvo da minha vida, as suas ventosas já não me prendem a nada, deixaram-me no vazio. É estranha esta sensação de libertação. É amarga porque queria ter sido eu a expulsar o polvo da minha vida: queria desenlear-me sozinha dos seus braços compridos, que me emaranhavam numa teia de estupidez, frustração e incompetência, arrancar-me do seu novelo burocrático e patético, libertar-me dele e da sua lógica ilógica.

A frustração é-me aplacada pela sensação de alívio, de leveza das horas, agora mais soltas, agora mais minhas. Há um outro sentimento que se impõe a curto prazo, que olho de relance e a medo, um sentimento de incerteza no futuro, de vazio das horas, das tais que hoje passam a ser só minhas e de mais ninguém. Mas não desanimo, nunca desanimarei porque, a toda a hora, cantarei comigo esta canção:

A principio é simples, anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado, que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio

e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vazia
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.

Sérgio Godinho
Pano Cru
(1978)

fim

este é o meu último post feito através do trabalho.

que alívio...!

quarta-feira, novembro 26, 2003

mulheres

eu gosto do público. informa, aponta, denuncia.

numa altura em que se fala de violência doméstica, violência contra as mulheres, volto a ler este dossier e continuo a não entender estas realidades.

terça-feira, novembro 25, 2003

a causa

esta gente diz que tem uma causa, uma causa que é deles, "uma causa-nossa".

que causa é essa? "(...)ser uma referência na esfera bloguística."

só um blog com a sempre-que-abro-a-boca-só-digo-disparates ana gomes, o coitadinho-de-mim-que-tenho-de-explorar-a-relação-tramada-com-o-meu-pai-para-vender-uns-livros luis osório (sobre quem tenho mais umas quantas teorias), o ex-jornalista-ex-director-de-jornal-ex-realizador-actual-deputado-socialista vicente jorge silva, o ex-companheiro-do-anterior-deputado-ex-director-de-agência-noticiosa-e-agora-quem-é-que-me-quer jorge wemans, o eu-sou-uma-sigla-com-mais-relevância-que-a-companhia-de-electricidade eduardo prado coelho, entre outros, poderia ter uma causa tão pretenciosa.

até metem pena...!

sexta-feira, novembro 21, 2003

arranja-me um emprego

Arranja-me um emprego
pode ser na tua empresa
concerteza
que eu dava conta do recado
e para ti era um sossego

Sérgio Godinho
Campolide
(1979)


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
é o que preciso a partir do dia de hoje.

quinta-feira, novembro 20, 2003

Etelvina I

Etelvina já cansada de viver sem ninguém

a não ser de vez em quando amores de vai e vem

pôs um anúncio no jornal que dizia assim

mulher desembaraçada

quer viver com alma irmã

de quem não seja criada

de quem não seja mamã


Sérgio Godinho
À Queima Roupa
(1974)

respeitem os seus cabelos brancos

mulher eu sei


eu sei como pisar

no coração de uma mulher

já fui mulher eu sei

para pisar no coração de uma mulher

basta calçar um coturno

com os pés de anjo noturno

para pisar no coração de uma mulher

sapatilhas de arame

o balé belo infame

para pisar no coração de uma mulher

pés descalços sem pele

um passo que a revele

Chico César
Aos Vivos (1994)

uma cena de fadas

todas as manhãs levanto-me, tomo banho, visto-me, lavo os dentes, arranjo a mala, envio um sms à raquel a dizer que estou a sair de casa, escolho o anel, escolho os brincos e olho o meu belo adormecido adormecido na cama. todas as manhãs olho-o e pergunto-me "como é que eu posso deixar este belo adormecido sozinho nesta cama?". todas as manhãs faço-lhe uma festinha na cara e beijo-o, ora num longo, ora num instantâneo beijo de acordar, de bom dia, de já é hora, já passam das nove... todas as manhãs ele abre os olhos, olha-me, boceja e espreguiça-se enchendo a cama de braços esticados.

todas as manhãs vivo um conto de fadas, beijando e despertando o meu amor belo e adormecido.

quarta-feira, novembro 19, 2003

fausto

o fausto tem um cd novo! o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!o fausto tem um cd novo!

ena! ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!ena!

que excitação...!

em família

Desde 1976, uma família argentina fotografou-se todos os anos, sempre no mesmo dia, na mesma posição e no mesmo lugar.

salamaleques arabescos

não gosto das pessoas que se escondem atrás das palavras, que sarapintam os sentimentos de acessórios rococós que encandeiam o mais atento leitor. não quer isto dizer que não gosto de poesia. leio-a através das músicas e canto-a com sons, fonemas e interjeições. mas notem: o vinicius de morais não se entrega ao salamaleques arabescos para escrever sobre o amor, nem o fausto, nem o tom jobim, nem o camões, nem o fernando pessoa, nem o chico buarque, nem o jacques brel. qualquer pessoa os lê e os compreende...

terça-feira, novembro 18, 2003

segunda-feira, novembro 17, 2003

tom

Só tinha de ser com você

É, só eu sei
Quanto amor eu guardei
Sem saber que era só prá você

É, só tinha de ser com você
Havia de ser prá você
Senão era mais uma dor
Senão não seria o amor
Aquele que a gente não vê
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você

É, você que é feita de azul
Me deixa morar nesse azul
Me deixa encontrar minha paz
Você que é bonita demais
Se ao menos pudesse saber

Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim

Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim

António Carlos Jobim
Aloysio de Oliveira

(1964)

à ana

tremo. mas não frio, aqui nesta sala aquecida. tremo. não consigo controlar o meu corpo, parece que me descarregam choques eléctricos nas costas, os meus dedos não acertam nestas teclas demasiado juntas. tremo de frio, afinal... de um gelo que me assaltou ainda há pouco. as minhas pernas estremecem e os meus cotovelos não se conseguem apoiar nesta mesa. vejo o cigarro que fumo em equilíbrio perquilitante à minha frente, na curta viagem entre o cinzeiro e a boca. tremo de frio, de medo, de medo, de medo.

já viste? sou a única pessoa que te chama de mana. nem o joão, nem a dadá, nem o reinaldo, nunca nenhum deles poderá ouvir-se a dizer mana. falar mana. sorrir mana. gritar mana. chorar mana. este é o meu único exclusivo em relação a ti. e como lhe tenho apreço! o prazer que me dá soletrar mana quando estou contigo... é esse o teu nome para mim. sabes que quando era miúda, e não tinha nada que fazer nas aulas, escrevinhava o teu nome nas folhas do caderno? que quando comprava uma caneta nova era o teu nome que a minha mão desenhava no papel? estreavas-as sempre com o teu nome, não com o meu. o teu nome bonito, claro, radioso, que me fazia inveja por soar tão bem, por ser curto e ritmado, por ter um ar doce, de menina. todas as músicas eram com o teu nome, ao contrário do meu, que embora também englobe o teu, se perde e se enfada na antecipação das letras. lembraste?

sabes que não imagino a minha vida sem ti? tal e qual o joão ou a dadá. és a minha pequena mãe. a minha irmã mais velha. o meu porto seguro. alimentas-me os dias. nunca reparaste como digo mana com um orgulho que me enche o peito, com um amor que que me extravaza?

queria morrer antes de ti... para nunca sentir a tua falta.

para a mana

Eu contigo

Eu, contigo
eu consigo
fazer o que digo

Eu, contigo
eu não cobro
eu não pago
e eu não devo

Devo dizer-te ao ouvido
eu sem ti
não tem sentido
tem sido
(devo dizer-te ao ouvido)
bem bom
bem bom bem bom
bem mais
do que o que é bom
bem bom bem bom

Sérgio Godinho
Canto da Boca (1981)

quinta-feira, novembro 13, 2003

blogs

blogs que me dão uma vontade ansiosa de fumar...!

gosto

gosto muito do sr. carne. vai já para a coluna do lado!

mil

caramba, cheguei às mil visitas certinhas...

cus

na minha ronda diária pelos blogs vejo na blogotinha a mais recente moda de inverno...

quarta-feira, novembro 12, 2003

velocidade

tento perceber como funcionam estes acessos rápidos do clix e da iol mas a lentidão é tanta que só me apetece fechar o computador e esquecer isto tudo. o próprio computador é muito, muito lento... estou mesmo mal habituada!

finalmente

estou a "postar" de casa.

isto por telefone é tão lentinho...!

eu

sou um bocadinho mazinha...

que porcaria

como desde 1 de novembro não há limpeza aqui neste buraco, começamos a ser "zumbidamente" atacados por moscas.
estou a chegar ao meu limite!

terça-feira, novembro 11, 2003

desespero

ando a tentar abrir o síte do iefp (instituto de emprego e formação profissional) desde do início da manhã. impossível!

convictamente

não tenho televisão.

ainda não...

...tenho telefone.
ao que parece a linha só começa a funcionar 48 horas úteis depois de ser instalada. ou seja, a esta altura tem mais do que obrigação de funcionar quando chegar a casa. se não estiver... lá se vai por água abaixo a recém-adquirida confiança nos monopólios!

segunda-feira, novembro 10, 2003

como previa

o paulo pedroso aparece esta semana na capa da flash, a mais recente revista cor-de-rosa, abraçado à sua namorada, que além de ter voz de homem também tem cara de homem... fiquei aterrada: em pleno domingo à tarde, no meio do pingo doce, com uma embalagem de detergente para a loiça numa mão e uma lata de graxa, quatro sabonetes e uma escova para calçado noutra, a olhar para aqueles olhos mípoes de carneiro mal morto, a espetar a cabeça por detrás da namorada, a quem abraçava. ouvia-me a dizer "haaaaaaaaa...!". ela, de sobrancelha escura e grossa (devia ir tratar disso... as minhas também são fartas e escuras mas até que me ficam bem... ela não: parece um verdadeiro bresnev versão feminino. no que toca às sobrancelhas, claro!), de sorriso estampado, espantado a olhar de frente para mim enquanto ele, de camisa por cima de t'shirt branca, mirava-me com um ar meio terno-sedutor-coitadinho que não consigo nomear.

fiquei chocada e tive uma revelação: percebi que quando for para o desemprego, posso-me tornar "futuróloga" ou outra coisa qualquer acabada em óloga porque, não sabendo, acertei na muche há uns dias atrás...!

já me estou a ver:

madame susa, especialista em futurologia através de entrevistas dadas à comunicação social! descontos amigos a antigos ministros de esquerda, velhos diplomatas e actuais deputados! previsões fantásticas e certeiras!

isto tudo num cartaz com muito pirlimpim-pim e uma fotografia minha com um ar sério, de mulher entendida com as coisas do além, de turbante vermelhasco na cabeça!

pois...

...a linha ainda não funciona.
ao que parece demora 48 horas úteis até começar a funcionar.
no meio disto tudo, a minha vizinha do lado ficou sem telefone.
nunca lhe tinha acontecido!

sexta-feira, novembro 07, 2003

pronto!

já tenho telefone em casa! já sou uma navegadora internaútica aqui (neste pântano) e em minha casa (uma linda seara de trigo!).

quinta-feira, novembro 06, 2003

dadá

vejam lá se eu não tenho uma sobrinha linda!?

sim!!!

é amanhã! caramba, que surpresa...! retiro tudo de mal que disse sobre a pt neste blog... e na vida inteira...

long live os monopólios!

tão rápido??

será possível que a pt vá lá a casa instalar a linha já amanhã? vou confirmar!

quarta-feira, novembro 05, 2003

estreou...

revolutions

cantada por maria rita...

A festa
(Milton Nascimento)

Já falei tantas vezes
Do verde nos teus olhos
Todos os sentimentos me tocam a alma
Alegria ou tristeza
Espalhando no campo, no canto, no gesto
No sonho, na vida
Mas agora é o balanço
Essa dança nos toma
Esse som nos abraça, meu amor (você tem a mim)

O teu corpo moreno
Vai abrindo caminhos
Acelera meu peito,
Nem acredito no sonho que vejo
E seguimos dançando
Um balanço malandro
E tudo rodando
Parece que o mundo foi feito prá nós
Nesse som que nos toca

Me abraça, me aperta
Me prende em tuas pernas
Me prende, me força, me roda, me encanta
Me enfeita num beijo

Pôr do sol e aurora
Norte, sul, leste, oeste
Lua, nuvens, estrelas
A banda toca
Parece magia
E é pura beleza
E essa música sente
E parece que a gente
Se enrola, corrente
E tão de repente você tem a mim


... a filha mais nova da elis regina. não consigo deixar de ouvir o álbum. é viciante. parece que ouço a mãe mas descubro-lhe sempre um novo timbre. é maria rita mariano, a filha!

terça-feira, novembro 04, 2003

precipitada

como sempre, depois de insultar o monopólio da PT e de os apelidar de cães, lá me submeti à informação telefónica para tentar saber se o tal pacote pt primeira vez tinha acabado ou não. não sendo ainda cliente deste monopólio, mesmo assim fui obrigada a dar o número do meu bi no primeiro contacto telefónico. se não o fizesse, juntamente com a minha morada e o meu nome completo, não me passavam ao colega que me iria dar a informação que necessitava. fui passada à colega, a quem pedi informações sobre o tal pacote: o pacote pt primeira vez.

eu pergunto: boa tarde, queria saber mais informações sobre o pacote pt primeira vez.
a operadora: deseja então o pacote primeira vez adsl?
eu respondo: não! eu disse que queria o pacote pt primeira vez, não disse adsl!
ela pergunta: quer dizer que quer o pacote pt primeira vez simples?
eu respondo secamente: sim!!
a esta altura do campeonato já começava a sentir arrepios...!

seguimos para bingo e ela questiona-me:
ela - qual o seu número de cliente?
eu - eu não sou cliente da pt... por alguma razão é que estou a pedir o pacote pt primeira vez, não acha?!!

aqui a conversa começou a ficar tensa... lá me deu as informações que pretendia e depois surpreendeu-me
a operadora - mas se vai instalar uma linha, porque não se informa sobre outros pacotes? talvez sejam mais interessantes...
a potencial cliente surpresa e titubiante - como? mas quais? como? mas há outros? não os vejo aqui na vossa página!
a operadora - eu também já procurei na página mas não os encontrei...! vou-lhe dar então a informação sobre os restantes pacotes!
a potencial cliente pasma a pensar "porque raio têm estes tipos uma página na internet?" - então diga lá...

conclusão: fui apanhada por mais um monopólio, o pacote pt primeira vez foi preterido pelo pacote "por 69€ tenha a instalação gratuita e um telefone sem fios!", a página de internet da pt não tem muito valor promocional e vou ter internet lá em casa dentro de 5 a 15 dias úteis.

dúvida: afinal, qual é a vantagem do pacote pt primeira vez? deixei-o cair ao fim de 30 segundos...

internet

pois, não tenho telefone nem internet em casa. também não tenho dinheiro. muito dinheiro, pelo menos... é o que dá ser explorada por um polvo há três anos. aumentou-me apenas uma vez, passados seis meses... devia estar num dia mais bem disposto, pois o homem irradiava caridade. coitado, sempre que me lembro dele, com aquela sua atitude de chefia mal vestida, com um ar magnânime, a mandar-nos entrar, uma por uma, e a distribuir fracos aumentos, a iludir-se a si próprio para poder sentir-se melhor com a sua pequenez. há momentos em que tenho pena deste polvo, preso em si próprio, nas suas contradições, na sua tinta escura, na sua cara-máscara, escondido por detrás de um riso forçado, sem ritmo, num HA-HA-HA teatral, mas de teatro amador muito deficiente... é um pobre polvo, desinteressante. não há quem o queira pescar...!

mas voltando à internet. concluo que por mais que existam as onis, as novis, as jazzteis, as vodafones e similares, que terei sempre de comprar o produto PT. a minha casa desprovida dos meandros das telecomunicações terá sempre de se submeter ao monopólio e implorar à PT que venha instalar uma das suas linhas... merda! merda! merda! detesto relacionar-me com monopólios! as edp's e as epais provocam-me arrepios! brrrrrr...

e merda outra vez!!! que os cães da pt já acabaram com a única promoção que me interessava, a pt primeira vez! estou lixada! mas eles não podiam estender a promoção até ao final deste ano para eu poder usufruir dela???

segunda-feira, novembro 03, 2003

pesadelo

é sonhar que se é namorada do paulo pedroso...

descoberta!

...por um pardalito. não sei bem como reagir. é que o pardalito em questão é amigo do polvo... ou diz-se amigo do polvo. nunca percebi.

eu gosto do pardalito. trabalhei com ele durante 2 anos e sempre lhe reconheci mérito, competência e responsabilidade. às vezes tínhamos os nossos arrufos, mas ainda sorrio quando leio a sua dedicatória de parabéns num cartão em 2001 "Susaninha, adoro-te!!!". eu também gostava bastante dele na altura. hoje ainda gosto dele e tenho muita pena que este pardalito tenha voado para o hemisfério sul, para o outro lado o oceano. por outro lado, fico contente por ele. é um pardalito espertalhão, este...!

sempre fiquei espantada a olhar para as mãos do pardalito. durante todo o ano eram rosadas, tinham um ar queimado e sempre as achei um pouco gordas, em comparação com o resto do corpo. gordas talvez não... inchadas. eram umas mãos queimadas, vermelhuscas e inchadas. para além da cara e do riso, vou-me lembrar destas mãos e relacioná-las sempre com o pardalito!